Casa cheia
Com o Murilo — contador, empreendedor, o homem mais disposto a ter
filhos que eu já conheci na vida inteira — construí a família que eu
nem sabia que queria tanto. O Pedro chegou em dezembro de 2021. O
Luiz, em fevereiro de 2024. O João, em janeiro de 2026.
A gestação do João foram 169 injeções, aplicadas por mim mesma. Eu
sabia que não estava bem, mas não tinha dimensão do quanto. No segundo
dia depois do parto, parece que voltei a habitar o meu próprio corpo.
Na arrumação da casa, nos despedimos das agulhas. Valeu cada uma.
Não existe vida perfeita por aqui. Existe uma casa barulhenta e dois
adultos viciados em fazer. Somos assim porque somos intensos: temos
fome de vida. Queremos muitos filhos, muita alegria, muitas
oportunidades — para nós e para os outros. Brigamos, erramos,
recomeçamos. E escolhemos a nossa família todos os dias.